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Braço-direito de Cartaxo, Manoel Jr. é citado em organização criminosa com tentáculos em vários níveis da sociedade

O documento de 64 páginas enviado pelo procurador da República Rodrigo Janot para o Supremo Tribunal Federal (STF), contendo a denúncia contra o presidente Michel Temer, por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça, revelou que um nome do alto escalão da Prefeitura Municipal de João Pessoa está sendo investigado por fazer parte da organização criminosa que desviou milhões de reais de dinheiro público: trata-se de nada menos que o vice-prefeito da cidade, Manoel Jr, braço-direito e comprometido totalmente com o projeto do prefeito Luciano Cartaxo.

Entre os políticos que fariam parte da organização, Janot cita os já condenados e presos Eduardo Cunha e Henrique Alves. Confira todos os nomes: Aníbal Gomes, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Lyra Alves, Alexandre Santos, Altineu Cortês, João Magalhães; Nelson Bournier, Solange Almeida, André Esteves, Fernando Antônio Falcão Soares, André Moura (filiado ao PSC); Arnaldo Faria de Sá (filiado ao PTB), Carlos Willian (filiado ao PTC) e Lúcio Bolonha Funaro.

O procurador explanou que a organização era dividida em núcleos diferentes, de forma que a operação criminosa se dava de maneira complexa e estruturada em vários níveis: “Verificou-se a atuação de organização criminosa complexa, estruturada basicamente em quatro núcleos: a) O núcleo político, formado por partidos e por seus integrantes; b) o núcleo econômico, formado por empresas que eram contratadas pela Administração Pública e que pagavam vantagens indevidas a funcionários de alto escalão e aos componentes do núcleo político; c) o núcleo administrativo, formado pelos funcionários de alto escalão da Administração Pública; e, finalmente; d) o núcleo financeiro, formado pelos operadores que concretizavam o repasse de propinas.”

O conteúdo da denúncia de Janot vem como outra bomba para explodir nas mãos da Prefeitura Municipal de João Pessoa, que já se vê envolvida em uma desgastante investigação da obra do Parque da Lagoa, na qual laudos e perícias da Polícia Federal (PF) apontam desvio de recursos e superfaturamentos em várias etapas da obra, além de indícios grandes de irregularidades nos processos licitatórios.

Agora, além do prefeito propriamente dito e de membros importantes da sua gestão estarem comprometidos pelas investigações da PF e do Ministério Público Federal na Lagoa, o vice-prefeito da cidade também fica em situação delicada. Sua inclusão formal nas investigações prejudica diretamente o projeto de Cartaxo para o ano que vem – o de se candidatar ao Governo do Estado e deixar a prefeitura nas mãos de Manoel Jr. Além disso, sem foro privilegiado por ter abdicado do cargo de deputado federal, é impossível cravar, inclusive, que ele estará em liberdade até a data em que acontecem as desincompatibilizações dos pré-candidatos que tem mandato eletivo e pretendem disputar algum cargo político – que é o caso de Cartaxo.

Porém, essa bomba que explodiu ontem à noite e tem seus efeitos e repercussões analisados com calma hoje, era uma bomba relógio, que todos sabiam que estava prestes a explodir a qualquer momento, pois sempre foi de conhecimento de todos a relação próxima e quase simbiótica entre Manoel Jr. e Eduardo Cunha, tido como o grande líder dessa organização criminosa. O que, talvez, Cartaxo e seus aliados não fizessem ideia era de que a bomba explodiria em momento tão inoportuno para eles.

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